segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Descobertas de petróleo definem novo horizonte para exploração mineral em Sergipe

A partir do recente anúncio da descoberta de novos poços de petróleo na costa sergipana, a partir de informações da Petrobras, descortina-se uma nova fronteira de significado histórico para Sergipe, e de grande importância para o país. Em 2012, esta é a quarta descoberta de grande relevância anunciada pela companhia petrolífera, em dimensão ainda não totalmente definida, mas que aponta para a existência do chamado “óleo leve”, de alta valorização no mercado. Estas descobertas se somam às iniciativas já desenvolvidas pelo Governo do Estado para dinamizar a cadeia produtiva do petróleo, gerando empregos, renda e benefícios para a sociedade sergipana.

Graças a uma política planejada de atração de investimentos, capacitação de mão de obra com a primeira escola técnica de Petróleo e Gás sendo edificada em Carmópolis e parcerias para realização de diversas obras, essas novas descobertas serão decisivas para consolidar um novo patamar que será estabelecido em Sergipe no aspecto da exploração mineral. Junto com a importância do projeto Carnalita e o incremento da produção em terra, o anúncio das novas descobertas pela Petrobras revelam que Sergipe poderá contar ainda durante muito tempo com os benefícios advindos desta produção.

Descobertas
Conforme o anúncio realizado pela Petrobras, a nova descoberta, anunciada oficialmente no último dia 5 de dezembro, dá conta da existência de uma ‘nova acumulação de hidrocarbonetos leves’ em águas ultraprofundas, no poço denominado 1-BRSA-1108-SES (1-SES-172), localizado a 85 km de Aracaju, em profundidade de água de 2.583 metros.

De agosto a outubro de 2012, ainda de acordo com informações da empresa, também foram anunciadas novas descobertas nos poços 1-SES-168 (denominado Moita Bonita), 3-SES-165 (Barra) e 1-SES-167 (Farfan), todos em águas ultraprofundas (o que não é considerado pré-sal) da mesma bacia.

“Estas são descobertas muito significativas. A Petrobras, embora não tenha informado o tamanho da jazida, afirma que esta é uma nova fronteira de exploração para o Brasil, e não só para Sergipe”, observou o assessor econômico do Governo do Estado e mestre em Economia, Ricardo Lacerda.

O economista lembrou também que, de acordo com os próprios informes da empresa, depois da bacia de Campos (RJ) e de Santos (SP), a bacia que compõe o bloco Sergipe/Alagoas (SEAL) assume importância estratégica.

Segundo dados da Agência Nacional do Petróleo (ANP), a produção sergipana (dados de outubro), é de 1 milhão e 240 mil barris/mês, dos quais 267 mil barris oriundos da produção marítima.

Ação Dinâmica
Nesse sentido, o Governo do Estado vem incessantemente buscando interagir com o Ministério das Minas e Energia e com a própria empresa petrolífera para dinamizar as ações que promovam a respectiva ampliação tanto de petróleo, quanto dos demais elementos que contribuem na cadeia energética do estado.
“Ainda que a Petrobras não tenha dimensionado a jazida, o que vai demandar estudos adicionais, a expectativa é de que as novas descobertas sejam algo muito representativo para Sergipe, garantindo que essa riqueza tão importante para o estado ainda permaneça por um horizonte longo de tempo gerando benefícios para os sergipanos”, contextualizou Ricardo Lacerda.

Outro aspecto importante lembrado pelo economista refere-se à qualidade do óleo existente que, conforme estudos preliminares apresentados pela Petrobras, refere-se a um material leve, de grande aceitação e valorização no mercado mundial. “Segundo as análises da empresa, a bacia Sergipe/Alagoas possui características geológicas semelhantes às de Gana, na África, que alcançou destaque internacional e alterou o mapa econômico do país, a partir da descoberta de uma jazida com mais de 1 bilhão de barris de petróleo em 2007”, acrescentou Lacerda.

Profissionalização
A consolidação das cadeias produtivas, a partir de uma determinação pontual do governador Marcelo Déda, também tem se consolidado em Sergipe, com uma vertente de atuação decisiva voltado ao adensamento da cadeia de petróleo e gás para que Sergipe possa oferecer internamente o conjunto de serviços que serão demandados para apoio à produção. “Isto agrega valor, pois faz com que empresas sergipanas ou sediadas aqui também vendam seus serviços, fazendo com que a circulação destes recursos beneficie a economia sergipana”, complementa Ricardo Lacerda.

Uma dessas ações específicas, busca atrair refinarias de petróleo que, mesmo não sendo diretamente vinculadas à Petrobras, gerariam novos postos de trabalho e recursos para os municípios envolvidos e para o estado. “Temos grupos interessados no desenvolvimento desse tipo de iniciativa que ainda realizam estudos preliminares”, informa o economista.

Perspectivas
Diante de todo esse contexto, fica patente que o Governo do Estado, a partir de uma ação incisiva do governador Marcelo Déda e do vice-governador Jackson Barreto, tem avançando de forma inconteste na consolidação das cadeias produtivas e na evolução de seu patamar de estado produtor na produção mineral e, sobretudo, no competitivo mercado de petróleo e gás, segmento de importância histórica e fundamental para o nível de qualidade de vida existente em Sergipe.

Fonte: Agência Sergipe

Construção naval brasileira avança com geração de empregos e expansão

O presidente do Sindicato da Indústria da Construção e Reparação Naval e Offshore (Sinaval), Ariovaldo Rocha, divulga o balanço anual setor da construção naval mostrando que indústria de construção naval brasileira encerra o ano de 2012 com 367 projetos na carteira de encomendas dos estaleiros, gerando 62 mil empregos em diversas regiões do país.
É um setor consolidado, com datas de entregas previstas para navios, plataformas e sondas de perfuração até 2020. Tem perspectivas de mais encomendas nos próximos 10 anos. O emprego vai aumentar para 100 mil pessoas, até 2017, considerando nove novos estaleiros em implantação e a demanda de pessoal nos estaleiros atuais.
O setor apresenta uma distribuição em polos de construção naval regionais, cumpre seu papel na criação de uma nova categoria profissional, proporciona integração entre instituições de ensino e pesquisa e empresas.
A construção naval cumpre uma política de Estado de geração de empregos, formação de recursos humanos e aumento do conteúdo local a navios e plataformas.
Novembro 2012:
Fonte: Sinaval e estaleiros - * Informações do Sindnaval AM.

São empregos de qualidade, bem remunerados, com possibilidade de avanço na profissão, amparados nas normas de segurança e saúde do trabalho da NR-34, desenvolvida por comissão tripartite formada por trabalhadores, estaleiros e técnicos do Ministério do Trabalho e Emprego.
Um amplo programa de formação de recursos humanos, desenvolvido ao longo dos anos, está atuante envolvendo universidades, escolas técnicas e governos federal, estadual e municipal, em diversos polos navais regionais (Amazonas; Pernambuco, Rio de Janeiro, Santa Catarina e Rio Grande do Sul).
A carteira de encomendas dos estaleiros brasileiros representa 8% do total da construção naval internacional. O Brasil é destaque nas estatísticas mundiais na construção de plataformas e sondas de perfuração.
Uma demanda identificada até 2020, nas encomendas da Petrobras, atrai investimento de grandes empresas locais e internacionais. Entre as mil maiores empresas instaladas no Brasil 30 participam da atividade de construção naval, 13 são acionistas de estaleiros e 17 são fornecedoras.
Desembolsos do FMM - Os desembolsos do FMM, segundo a Controladoria Geral da União (CGU – Portal da Transparência), até novembro de 2012 representaram R$ 2,924 bilhão, confirmando a expectativa de desembolsos superiores a R$ 3 bilhões, ao final de 2012.
Os desembolsos através dos agentes financeiros com recursos do FMM, desde 2001, somam R$ 16,8 bilhões. Obras:
Fonte: Sinaval.

Os estaleiros brasileiros têm em sua carteira de encomendas 367 obras de construção naval e offshore.
Os destaques são as unidades de maior valor agregado: a construção e integração de 20 plataformas de petróleo e seus módulos de produção; 28 sondas de perfuração; 70 navios de apoio marítimo; os 66 navios petroleiros (incluindo produtos e bunker); e 15 navios gaseiros.
As obras do segmento de transporte fluvial deverão se ampliar nos próximos anos, em função da prioridade logística que reconhece a importância desse modal.
Permanecem tímidas, para as dimensões do nosso mercado, as encomendas de navios graneleiros e porta contêineres.
Navios petroleiros do Promef (Programa de Modernização e Expansão da Frota da Transpetro), plataformas de produção de petróleo e sondas de perfuração têm seu cronograma de construção definido, com datas de entregas previstas.
Navios do Promef: [Programa de Modernização e Expansão da Frota da Transpetro] | Situação da construção e previsões de entrega até 2020:
Plataformas de produção de petróleo - Os estaleiros brasileiros estão construindo 20 plataformas de produção de petróleo, das quais 14 inteiramente construídas no país. Seis cascos foram convertidos em estaleiros internacionais. É nítida ênfase na construção local desses equipamentos, implantando no Brasil uma ampla capacidade industrial para atender a demanda do segmento de produção de petróleo offshore.
Construção plataformas de produção de petróleo:
Fonte: Sinaval e Petrobras.

O FPSO Cidade de São Paulo, cuja construção e integração de módulos foi realizada pelo estaleiro BrasFELS, foi entregue à Petrobras em novembro de 2012, antecipando em três meses em relação ao prazo previsto (janeiro de 2013).
.Sondas de perfuração | Construção no Brasil: 28 sondas contratadas.
.Entregas realizadas e previstas:
Fonte: etrobras.

Novos estaleiros | Capacidade produtiva dos novos estaleiros em implantação: Fonte: Sinaval e estaleiros.
Os novos estaleiros em implantação aumentam em 70% a capacidade de processamento de aço do setor, representam investimentos no valor de R$8,7 bilhões, com previsão de gerar 24.700 novos empregos.
Conteúdo local-O aumento do conteúdo local nos fornecimentos a navios e plataformas offshore é uma prioridade no Sinaval, desde 2008. Em 2011 o Sinaval realizou o I Fórum de Conteúdo Local.
É uma política de Estado. Estão envolvidos neste esforço o Ministério da Fazenda (Caixa e BB); o Ministério do Desenvolvimento e Comércio Exterior (ABDI e BNDES); o Ministério das Minas e Energia (Petrobras e Prominp); Ministério dos Transportes (Fundo da Marinha Mercante – FMM); Ministério da Ciência e Tecnologia (FINEP); instituições da iniciativa privada (ONIP, Sobena, Sinaval, Syndarma) e instituições de ensino e pesquisa (CEENO, UFRJ-Coppe, USP, UFPE e FURGS).
Polos Navais, tecnologia e inovação-A diversificação regional dos polos navais é uma realidade. Existem no Amazonas; Pernambuco, Rio de Janeiro, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
A RICINO - Rede de Inovação para Competitividade da Indústria Naval e Offshore é um projeto da Sociedade Brasileira de Engenharia Naval (Sobena),Centro em Excelência em Engenharia Naval e Oceânica (CEENO), Sindicato Nacional das Empresas de Navegação Marítimas (SYndarma) e Sindicato Nacional da Indústria da Construção e Reparação Naval e Offshore (Sinaval).
Atua através de núcleos regionais no Rio Grande do Sul e Pernambuco, núcleo de projeto naval, em São Paulo; e núcleo de tecnologia no Rio de Janeiro.
O objetivo é coordenar ações de instituições de ensino pesquisa e instituições governamentais com os empreendimentos de construção dos estaleiros.
Esse esforço é essencial para aumento do conteúdo local nos fornecimentos, para suprir necessidades de tecnologia e apoiar a inovação no setor.
Em dezembro, o Prominp – Programa de Mobilização da Indústria Nacional do Petróleo e Gás anunciou que, a partir de 2013, será implementado o programa APLS - Arranjos Produtivos Locais, no entorno das regiões onde a Petrobras tem grandes empreendimentos em andamento (refinarias, complexos petroquímicos e construção de navios e plataformas).
Cinco projetos piloto serão implementados: Rio Grande (RS), Itaboraí (RJ), Ipatinga (MG), Maragogipe (BA) e Ipojuca (PE). O programa tem parceria com o Ministério do Desenvolvimento (Mdic) e com a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
A característica dos polos navais é a existência de um conjunto de estaleiros, a integração de ações de governos estaduais e municipais, universidades e escolas técnicas para formação de recursos humanos; a criação de centros de tecnologia.

Fonte: Revista Fator 

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

RJ calcula perda de R$ 77 bilhões com nova lei dos royalties do petróleo

Texto aprovado pela Câmara ainda vai para sanção da presidente.

Governador Sérgio Cabral disse 'estar tranquilo' e confia no veto de Dilma.

A Câmara dos Deputados aprovou, na terça-feira (6/11), o projeto que muda a distribuição dos royalties do petróleo. Se o projeto virar lei, os estados e municípios produtores passarão a receber uma porcentagem menor. As perdas no estado do Rio de Janeiro podem chegar a R$ 77 bilhões, segundo cálculos do próprio governo fluminense, conforme mostrou reportagem do RJTV desta quarta (7).

O Rio produz 80% do petróleo do país e, por consequência, é o estado que mais arrecada e o que mais irá perder com as novas regras. A proposta do deputado Onix Lorenzoni, do DEM do Rio Grande do Sul, foi aprovada por 286 votos a favor e 124 contra. Falta, entretanto, a sanção da presidente Dilma Rousseff.

A parcela que hoje é de 26,25% dos royalties, passará para 20% em 2013, em todos os estados produtores. A cota destinada à união também cai, de 30 para 20%. Já estados e municípios não produtores, terão aumento na participação.

Para os municípios, a fatia passa de 1,75% para 21% no ano que vem, chegando a 27% em 2020, quase 1/3 do total de royalties. Deputados do Rio defendem o veto da presidência alegando entraves constitucionais.

Em nota, o governador do Rio, Sérgio Cabral, disse que o projeto aprovado viola o direito adquirido do estado e é inconstitucional. Segundo o governador, se o projeto virar lei, levará as finanças do estado e de muitas prefeituras ao colapso.

Sérgio Cabral informou ainda que está tranquilo devido ao fato de a presidente Dilma "já ter anunciado publicamente que vetaria qualquer projeto que mexesse em contratos antigos". Contudo, o próprio governo declarou em outras ocasiões que poderá levar a questão ao Supremo Tribunal Federal para garantir os direitos do estado.

Fonte: G1

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domingo, 28 de outubro de 2012

Práticos, ‘os flanelinhas de navios’, ganham até R$ 300 mil mensais

RIO E SANTOS (SP) — O Brasil está prestes a mudar o centenário e milionário serviço de praticagem — que consiste no apoio para que navios cheguem aos portos com profissionais, os práticos, treinados para conduzi-los nos estreitos canais de acesso aos terminais. A Marinha reconhece que poderá dispensar, já a partir do ano que vem, a contratação do serviço de assessoria aos comandantes de navios habituados a certos terminais portuários. Outra mudança efetiva poderá surgir de um comitê que está sendo criado pelo governo para rever os altos custos, que, segundo levantamento dos armadores, são até 1.000% superiores aos registrados em países vizinhos, o que compromete a competitividade nacional. Além disso, cria uma elite de cerca de 400 profissionais no país que, não raro, recebem até R$ 150 mil mensais, ou até R$ 300 mil mensais no Maranhão.

Empresários do setor de navegação afirmam que os custos dos serviços de praticagem nos portos brasileiros estão entre os mais altos do mundo. E citam o preço para atracar navio médio (de 20 mil a 30 mil toneladas) no Porto de Paranaguá (PR): R$ 28.241,18 (pouco mais de US$ 14 mil) para operação que leva em média duas horas. Nos Estados Unidos, em portos com características próximas às de Paranaguá, dizem eles, como o de Brownsville, no Texas, no Golfo do México (também terminal de escoamento de grãos), o preço da atracação é US$ 5.712 (cerca de R$ 11 mil).
— Não queremos que os práticos ganhem mal, mas os valores que cobram aqui são estratosféricos — diz um empresário que não quis ser identificado.
De acordo com os armadores, a diferença é ainda maior na comparação com portos chilenos: lá são cobrados US$ 1.287. Ou seja, o serviço brasileiro é 987% mais caro.
‘Competitividade menor das empresas’
O Sindicato Nacional de Empresas de Navegação Marítima (Syndarma) afirma que o custo da praticagem “afeta diretamente a competitividade das empresas”. Para atracar um navio no Porto de Manaus, o preço dos serviços dos práticos, segundo os armadores, chega a R$ 250 mil. Eles podem ter de esperar três dias por um profissional.
— Um prático, em média, ganha sete vezes mais que o comandante de um navio. E não podemos dizer que a responsabilidade deles seja maior. Se o navio bate, mesmo na manobra, o responsável é o comandante, não o prático — afirmou André Mello, um dos diretores do Syndarma.
No Porto de Santos, o maior e mais movimentado da América Latina em contêineres, a praticagem é oferecida por uma única empresa, a Praticagem de São Paulo, uma sociedade de cotas que tem os próprios profissionais como sócios. A prática se repete pelo país.
— Todo esse processo nós fazemos baseados na legislação; não é algo da nossa cabeça — diz Paulo Barbosa, diretor-superintendente da Praticagem de São Paulo, rebatendo as acusações, que diz serem comuns, das companhias de navegação.
Ao todo, 52 práticos são responsáveis pela movimentação dos navios em Santos e no Porto de São Sebastião (SP). Eles fazem, em média, 36 manobras de atracação e desatracação por dia. Na temporada de cruzeiros, o número chega a 60 manobras diárias.
— Com a formação que temos hoje (52 práticos), daria para fazer até 180 manobras — diz Barbosa.
Barbosa, de 54 anos, é ex-oficial da Marinha Mercante e há 18 anos dedica-se à praticagem. Na sexta-feira passada, repórteres do GLOBO acompanharam a manobra de atracação de um navio com uma carga de veículos com bandeira de Cingapura e tripulação filipina, desde a barra do Porto de Santos até o terminal. Com 190 metros de comprimento e capacidade para 47 mil toneladas, a embarcação foi comandada por Barbosa durante 1h30m até completar a atração. Pelo serviço, a empresa cobrou R$ 13.345,00.
Esses custos, porém, podem estar com os dias contados. Nos próximos dias, começará a funcionar um comitê com Marinha, práticos, armadores, a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) e os ministérios da Fazenda e do Planejamento para enfrentar o assunto. O vice-almirante Ilques Barbosa Junior, diretor de Portos e Costas, adiantou que o objetivo é diminuir os custos, sem abrir mão da qualidade e da segurança da operação. Segundo ele, em 2013, os primeiros comandantes habituados a determinados portos poderão dispensar os serviços dos práticos. Antes, precisarão passar por um teste. Essa possibilidade existia na legislação, mas nunca foi utilizada.
— Esse tipo de crítica (sobre os custos) carece de dados mais sólidos, haja vista que as diversas organizações envolvidas no serviço de praticagem (entidades, autoridades, empresas e outros) diferem sensivelmente entre os países, que também têm legislações diversas. O que se pode afirmar é que os preços de praticagem, de uma maneira geral, são elevados no mundo inteiro. Além disso, pela legislação brasileira em vigor, os preços dos serviços de praticagem são negociados pelas partes interessadas, ou seja, praticagem e armadores. Em casos excepcionais, onde não haja acordo, é que caberá à autoridade marítima estabelecer um preço entre as partes — diz o vice-almirante.
‘Serviço é de interesse público’
Os práticos rebatem as críticas. Otávio Fragoso, diretor do Conselho Nacional de Praticagem (Conapra) e vice-presidente sênior da Associação Internacional de Praticagem (Impa, na sigla em inglês), afirma que a praticagem no Brasil não é mais cara que a média mundial. Ele diz que a FGV fez estudo, contratado pelo próprio Conapra, que prova que, em média, os custos de Santos, por exemplo, são 10% a 31% superiores à média mundial, o que seria, em grande parte, decorrente do câmbio.
— Muitos afirmam que aqui é caro, mas não provam. Basta mostrar uma nota fiscal por um serviço em outro porto — afirmou Fragoso, na última sexta-feira, durante a atracação de navio de contêineres de 260 metros no Porto do Rio, oriundo da Ásia, que pagou R$ 8 mil pelo serviço, conduzido pelo prático Durvalino Ferreira. — Para navios brasileiros de cabotagem, o custo é muito menor, não chega a R$ 2 mil.
Fragoso disse que o serviço é complexo, pois envolve o interesse público. Para ele, não se deve pensar em privatizá-lo. Seria o mesmo que fazer dos controladores de voo empregados das companhias aéreas, compara.
— Um comandante de navio pensa em milhas; nós, em metros. Eles são pilotos de ônibus; nós, de Fórmula-1.
Ele também rebate críticas aos salários do setor. Diz que os práticos recebem pró-labore, de R$ 5 mil a R$ 18 mil. O restante é variável. Em um mês bom, receberiam até R$ 80 mil, diz Fragoso.
— A discussão é infundada. Podemos discutir o valor da praticagem, mas, garanto, o preço brasileiro está na média mundial. E este preço não afeta a competitividade do país. Se reduzirmos os preços, o frete do navio vai cair? Garanto que não, há um oligopólio no setor.
 
Fonte: Globo.com