terça-feira, 17 de julho de 2012

Uma nova era do petróleo está a caminho

Um pesquisador de Harvard, Leonardo Maugeri, faz previsões audaciosas e contraria a teoria de que a era do combustível fóssil está próxima do fim

 

São Paulo - Um estudo recém-publicado sobre o volume das reservas de petróleo – e as novas descobertas no mar, nas rochas e nas areias – está causando alvoroço no mundo acadêmico. Intitulada “Petróleo: A nova Revolução”, a pesquisa feita pelo pesquisador italiano Leonardo Maugeri afirma categoricamente que não só o fim da era do petróleo está longe, como o aumento da capacidade de produção alcançará quase 20% nos próximos oito anos – uma taxa de crescimento que não se vê desde a década de 1980.

Isso significa, nas contas do pesquisador, que o mundo poderá produzir 110,7 milhões de barris de petróleo por dia em 2020. Maugeri redigiu o relatório durante o ano sabático que tirou para estudar na Universidade de Harvard. Até então, o italiano era um dos altos executivos da petrolífera ENI, a maior empresa do setor em seu país. “Ao contrário do que a maioria das pessoas acredita, a capacidade de fornecimento de petróleo está crescendo mundialmente a níveis sem precedentes, e que poderão até superar o consumo”, diz em seu estudo.
A argumentação de Maugeri é calcada em dois pontos que se interligam. O primeiro é a descoberta de novas reservas no mundo ocidental – não apenas de petróleo convencional, como é o caso do encontrado na camada pré-sal brasileira, mas também de jazidas de gás da rocha xisto, nos Estados Unidos, e as areias betuminosas do Canadá. Todas elas são novas formas de petróleo encontradas na natureza – e que diferem do líquido negro e pastoso jorrando da terra.

Tais reservas correspondem às chamadas fontes não convencionais do combustível fóssil, que exigem avançados processos tecnológicos e químicos para sua extração. Isso leva ao segundo ponto defendido pelo pesquisador: de que o surgimento de fontes não-convencionais fará com que o Ocidente transforme-se no novo “centro de gravidade” da produção e exploração de petróleo global, diminuindo a dependência da oferta proveniente do Oriente Médio. Segundo o pesquisador, estima-se que haja no planeta 9 trilhões de barris de combustível fóssil não-convencional. O mundo tem capacidade para produzir, atualmente, 93 milhões de barris por dia – ou 34 bilhões de barris/ano.

Maugeri não sugere que o Iraque ou a Arábia Saudita terão queda em sua capacidade de produção. Muito pelo contrário. As perspectivas para ambos os países são de um acréscimo de 6 milhões de barris/dia de petróleo até 2020. Contudo, graças ao avanço da oferta no Ocidente, ele argumenta que mundo ficará menos sujeito à volatilidade de preço do barril trazida por questões geopolíticas que afetam os países árabes. “Isso fará com que a Ásia seja o mercado de referência para o petróleo árabe e a China se transforme em nova protagonista nas questões políticas da região”, afirma o pesquisador.

Para os Estados Unidos, Maugeri estima que a capacidade de produção passe, dentro de oito anos, dos atuais 8,1 milhões de barris/dia para 11,6 milhões de barris/dia. Em outras palavras, o país deve desbancar a Rússia e se tornar o segundo maior produtor de petróleo – os sauditas seguirão na liderança. No caso do Brasil, Maugeri prevê que a capacidade de produção deverá sair de 2 milhões de barris/dia para 4,5 milhões de barris/dia em 2020 devido à exploração do pré-sal.

Avanços tecnológicos – O estudo do pesquisador italiano foi taxado de otimista por parte da comunidade acadêmica. A principal crítica de estudiosos está no fato de Maugeri ter minimizado os riscos e os desafios de investimento nos avanços tecnológicos necessários para extrair petróleo de fontes não convencionais. “Quando se exige uma tecnologia muito mais avançada, que envolve altos custos ambientais, esbarra-se na questão do preço. Quanto os investidores estarão dispostos a investir nesse tipo de empreitada e quanto os consumidores estarão dispostos a pagar por esse combustível? Esse tipo de resposta é imprevisível, por enquanto”, afirma Peter Kiernan, da Economist Intelligence Unit (EIU).

Maugeri, contudo, fez a conta. Segundo ele, mesmo com um barril de petróleo cotado a 70 dólares – hoje o contrato para agosto do produto sai por 87,10 dólares o barril nos EUA e 102,40 dólares por barril no mercado europeu –, a extração de toda essa nova capacidade será lucrativa. Isso levaria a commodity a um novo patamar de preço que, segundo o pesquisador, poderá transformá-la em alternativa energética mais barata. “É preciso pensar que o petróleo ‘fácil e barato’ de hoje não era tão fácil e barato quando foi descoberto”, diz ele. O estudo que publicou em Harvard aponta que 2012 não encontra precedentes em aportes de recursos no desenvolvimento de novas tecnologias de extração e produção. Até o final do ano, serão 600 bilhões de dólares em investimentos – um recorde que deverá implicar melhora de eficiência nos próximos anos.

Adriano Pires, diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), também cita o exemplo do gás de xisto nos Estados Unidos como exemplo do que está por vir. Há dez anos, o uso deste produto como fonte de energia era praticamente inexistente no país e hoje representa mais de 23% da oferta de combustível. “Muitos acreditam que poderá até mesmo haver uma superoferta de gás em 2017”, explica Pires. Na edição desta semana, a revista britânica Economist discorre sobre o gás natural (em especial, o de xisto nos EUA) em 14 páginas de reportagem. O estado de Dakota do Norte, onde está localizada a reserva de Bakken, a maior fonte americana de gás, é considerado o eldorado do emprego no país.

A teoria do fim – O mundo do petróleo é dividido em dois grupos teóricos – com poucos adeptos ao meio termo. Numa ponta da discussão estão os adeptos da teoria do “pico do petróleo”, que prevê o fim do mineral devido à explosão do consumo e ao esgotamento das reservas. Tadeusz Patzek, professor e engenheiro de petróleo da Universidade do Texas, em Austin, é um de seus defensores mais fervorosos.

“Há um aumento de fontes de combustível, mas há um aumento muito maior da demanda, sobretudo em mercados emergentes como China e Índia. Por outro lado, grandes exportadores, como países do Oriente Médio, continuam produzindo, mas exportam menos. E isso ocorre porque estão consumindo o petróleo que produzem. Como é possível falar em aumento de oferta se as exportações não irão aumentar”, questiona. Para Patzek, o petróleo não irá acabar, mas a oferta não crescerá no mesmo ritmo que a demanda. Sobre isso, o ex-ministro de Energia da Arábia Saudita dos anos 1970, o Sheik Ahmed Zaki Yamani, tem uma frase histórica repetida à exaustão do Texas a Bagdá. “A Idade da Pedra não acabou pela falta de pedra, e a Idade do Petróleo irá acabar muito antes que o mundo fique sem petróleo”.

A escola alternativa, que tem no premiado Daniel Yergin – autor do livro vencedor do Pulitzer, 'O Prêmio' – um de seus maiores expoentes, acredita na evolução tecnológica como caminho para explorar as reservas existentes e descobrir formas alternativas de combustível. A teoria do fim do petróleo é, para eles, infundada. “Crises energéticas já foram anunciadas inúmeras vezes, assim como a morte do petróleo. Até agora, nada disso aconteceu. Mas o discurso fatalista persiste mesmo entre especialistas no assunto. Ignoram-se as conquistas que a tecnologia já proporcionou e ainda vai proporcionar futuramente”, disse Yergin em entrevista a VEJA, em 2007.

Ele lembrou que os investimentos em novas tecnologias permitiram que os Estados Unidos dobrassem sua produção de energia desde a década de 70. “Por que não a dobrariam nos próximos trinta anos?”. Os cálculos de Maugeri mostram que, cinco anos após esta entrevista, Yergin e a linha de pensamento em que se enquadra estão vencendo o debate na academia.

Um lugar para os “verdes” – O peso das previsões alarmistas sobre o fim da era do petróleo tende, portanto, a perder força. Mas é verdade também que toda a gama de fontes renováveis de energia – vistas como um contraponto ao uso de combustíveis fósseis – terá seu lugar garantido no futuro. Os ambientalistas podem até exercer pressão pela prevalência dos combustíveis “verdes”, mas a continuidade dos investimentos no segmento está assegurada por uma combinação de fatores sociais, econômicos e geopolíticos.

As sociedades atuais, nos mais diversos países, são mais empenhadas em cobrar responsabilidade ambiental de governos e empresas. Neste sentido, grandes tragédias representam pontos de inflexão. O acidente da plataforma da BP no Golfo do México, em 2010, gerou, por exemplo, uma mobilização antipetróleo nos Estados Unidos que tornou a operação de extração em águas profundas muito mais cara. “Os acidentes são poucos. Mas, quando acontecem, são dramáticos. E isso cria uma pressão social que tem impacto direto no preço da exploração”, diz Kiernan, da EIU. Em resumo, a cobrança por tecnologias seguras de exploração implica custos para as grandes empresas – e estes podem ser bem altos – que podem tornar interessantes investimentos em biocombustíveis, energia eólica, etc.
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Matriz diversificada – O fator mais relevante, contudo, chama-se legislação. Governos de diversas nações tanto podem, por força de lei, inibir determinados tipos de exploração quanto viabilizar fontes renováveis. Os líderes dos países o fazem provavelmente menos em resposta aos anseios da população e mais por puro planejamento estratégico. Afinal, todos se preocupam em garantir uma oferta farta de energia por décadas e décadas porque não é possível correr o risco de limitar o crescimento econômico por sua escassez. É demasiadamente arriscado confiar em poucas fontes quando se quer ter um futuro seguro.

Além disso, os governos não querem ficar dependentes e vulneráveis às instabilidades de países produtores – muitos dos quais são até hoje ditaduras. Autossuficiência é, portanto, mais que mero capricho. Para Adriano Pires, este cenário deverá equilibrar avanços tecnológicos, preservação ambiental e busca por novas fontes de energia para complementar a oferta mundial. “Eu vejo a matriz energética do mundo muito mais diversificada daqui para frente, mas ainda com uma participação grande recaindo sobre o petróleo e o gás”, diz o especialista.

Fonte: Ana Clara Costa, de Veja

quarta-feira, 4 de julho de 2012

 Notícias Para concluir refinarias, Petrobras poderá negociar com empresas estrangeiras



Para concluir refinarias, Petrobras poderá negociar com empresas estrangeiras



Preocupado com o atraso no cronograma de obras das refinarias da Petrobras que fazem parte do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), o governo deu sinal verde para que a estatal acelere a negociação de parcerias com empresas estrangeiras. Além da Premium II, do Ceará, estão na lista Comperj, Abreu e Lima e Premium I.

Segundo especialistas, a entrada de capital estrangeiro vai evitar que o país deixe de construir os empreendimentos. Sem elas, a dependência cresceria tanto que, em 2020, acabaria por colocar em risco a autonomia e o crescimento do país.

A alternativa, que vinha sendo evitada para preservar a autonomia do país no processamento do petróleo do pré-sal, é vista agora como uma saída para manter os prazos de conclusão e operação, após a decisão da Petrobras de reduzir o ritmo de investimentos em refino no seu Plano de Negócios 2012/2016.

Entre as empresas estrangeiras interessadas está a gigante chinesa Sinopec, que atualmente opera no país em consórcios para exploração de campos de petróleo. Outras multinacionais da área de refino já manifestaram interesse em se associar com a Petrobras, mas as parcerias não prosperaram. A exceção é a venezuelana PDVSA, que participa da construção da refinaria Abreu e Lima.

A Petrobras não confirma as negociações, mas, segundo fontes do governo, a opção pelo capital estrangeiro decorre da avaliação de que postergar prazos para refino significa aumentar perigosamente a dependência do país de combustíveis derivados de petróleo importados.
Fonte: Redação/ Agência 

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Após ações derreterem, presidente da OGX renuncia ao cargo

A OGX, do bilionário Eike Batista, trocou a presidência-executiva em meio ao duro questionamento do mercado sobre a capacidade de produção de petróleo da companhia. Em apenas dois dias, a empresa perdeu 40% do valor na bolsa.

O executivo Paulo Mendonça, que ocupou a presidência da OGX por apenas dois meses, será substituído por Luiz Eduardo Carneiro, que antes presidia a OSX, outra empresa de Eike.

A mudança consolida "a natural evolução da OGX para uma nova fase em que a produção adquire especial importância, sem qualquer prejuízo da continuidade da campanha exploratória", informou a companhia em fato relevante nesta quinta-feira.

Na terça-feira à noite, a OGX informou que a vazão de óleo nos primeiros poços perfurados pela empresa em um campo na bacia de Campos é de 5 mil barris de óleo equivalente (boe) por dia, apenas um terço do que o mercado esperava.

O comunicado foi o gatilho para uma queda acentuada das ações da OGX na Bovespa, com várias corretoras reduzindo drasticamente as projeções e a recomendação para os papéis da empresa, levantando dúvidas sobre todo o programa de crescimento da companhia.

Nesta quinta-feira, a Ibovespa fechou em queda pressionado pelo segundo tombo da petroleira OGX, que desabou 19,2%, a R$ 5,05. Outras empresas do grupo também derreteram, como MMX, que caiu 17,0%, a R$ 5, e por LLX, com queda de 8,07%, a R$ 2,05.

Reuters News

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Construção de plataformas de petróleo é iniciada no Paraná

Empresa italiana Techint Engenharia e Construção modernizou unidade já existente no local

A construção de duas plataformas de petróleo em Pontal do Paraná, litoral do estado, foi iniciada na última sexta-feira (22). A empresa responsável pela obra é a italiana Techint Engenharia e Construção, que prevê investimento de R$ 1 bilhão no projeto.

Serão construídas e montadas plataformas fixas de petróleo WHP-1 E WHP-2, cada uma com 26 mil toneladas e capacidade de perfuração de 30 poços. As estruturas foram encomendadas pela OSX Brasil S/A, empresa de petróleo do empresário Eike Batista.

Para concretizar a obra, a Techint investiu R$ 300 milhões modernizando sua unidade em Pontal do Paraná, que existia desde a década de 80. As obras incluem: aumento da área útil do canteiro (de 140 mil m² para 200 mil m²), construção de um cais de 300 metros, nova estação de tratamento de esgoto, escola técnica para capacitação de funcionários e melhoria na infraestrutura de acesso.

A empresa recebeu todas as licenças ambientais, de operação e instalação necessárias para a obra, além do Plano de Controle Ambiental (PCA) e do Termo de Compromisso de Compensação Ambiental (TCCA). A Techint também desenvolve o Programa de Monitoramento Ambiental e Medidas Mitigadoras, que também foi aplicado às plataformas.

Fonte: PINI Web

terça-feira, 26 de junho de 2012

OGX define nível de produção por poço no Campo de Tubarão Azul

RIO - A OGX definiu a vazão ideal de 5 mil barris de óleo equivalente (BOE) por dia nos dois primeiros poços do campo de Tubarão Azul, antigo Waimea, na Bacia de Campos. A decisão, comunicada na terça-feira (26/06), ao mercado, acontece depois de cinco meses de teste de longa duração (TLD) e não prevê injeção de água nos poços, técnica que contribui para elevar a vazão do reservatório.

Segundo a empresa, os poços OGX-26HP e OGX-68HP foram testados com vazões que variaram de 4 mil a 18 mil BOE/dia, “garantindo um melhor entendimento do modelo do reservatório”.

Em comunicado ao mercado, a OGX informou que, nos últimos cinco dias, por ocasião da parada do poço OGX-26HP para a troca de uma bomba, a plataforma do tipo FPSO (flutuante, de produção, armazenamento e transferência) OSX-1 produz a média de 7,4 mil BOE/dia no poço OGX-68HP, “mantendo níveis satisfatórios de pressão no reservatório”.

A companhia se mostrou confiante na recuperação dos 110 milhões de BOE de Tubarão Azul, “especialmente porque durante o TLD também foram identificados fraturas naturais conectando os poços OGX-26 e OGX-68”.

“Ao longo dos próximos 12 meses, mais dois poços produtores e dois poços de injeção de água serão interligados ao FPSO OSX-1, de maneira a aumentar gradativamente a produção de óleo do Campo de Tubarão Azul”, diz o comunicado enviado hoje ao mercado.

A companhia informou ainda que as unidades de produção já contratadas, FPSOs OSX-2 e OSX-3, que se encontram em fase de construção em Cingapura, têm sua chegada ao Brasil e início de produção previstos para o segundo semestre de 2013.

Fonte: Valor Econômico